Com proximidade das eleições, Andifes publica carta com princípios fundamentais às universidades públicas

Publicado em 23/09/2026. Atualizado em 23/09/2026 às 17h07

Arte: Divulgação - Andifes

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que reúne 71 universidades federais (entre elas, a Universidade Federal do Cariri), publicou nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, uma carta aberta, dirigida à sociedade brasileira, listando princípios que “orientam a atuação” dessas instituições e que são considerados “fundamentais para o futuro do nosso país”.

Em uma lista de seis princípios, a Andifes destaca, em primeiro lugar, a defesa da democracia. Na sequência, cita a defesa de cinco pontos principais: da educação e da ciência como políticas de Estado; de uma universidade pública democrática, diversa e inclusiva; de um projeto de desenvolvimento comprometido com a soberania, com a justiça social e com a sustentabilidade e, por fim, de um Brasil comprometido com a cooperação, com a paz e com o multilateralismo.

Segue abaixo a carta da Andifes, na íntegra.

Carta da Andifes à sociedade brasileira diante das Eleições de 2026

Às vésperas das eleições gerais de 2026, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que reúne 71 Universidades Federais e mais de 300 campi, com presença em todas as regiões do país, dirige-se à sociedade brasileira para reafirmar princípios que orientam a atuação de nossas instituições e que consideramos fundamentais para o futuro do nosso país.

Defendemos, em primeiro lugar, a democracia.
A democracia brasileira foi construída por gerações de brasileiras e brasileiros e deve ser permanentemente protegida e aprofundada. Isso pressupõe respeito à Constituição, às instituições democráticas, à soberania do voto popular e ao resultado das urnas. Pressupõe
também liberdade de pensamento, expressão e produção do conhecimento, respeito aos direitos humanos, enfrentamento a todas as formas de discriminação e compromisso permanente com a ampliação da cidadania.

Não há espaço, em um projeto democrático de país, para o autoritarismo, para ataques às instituições, para a intolerância política ou para tentativas de desacreditar, sem evidências, o processo eleitoral. A democracia é e deve sempre ser inegociável.

Defendemos a educação e a ciência como políticas de Estado.
Nenhum projeto consistente de desenvolvimento nacional pode prescindir de universidades públicas fortes, autônomas e socialmente referenciadas. A educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade é um direito e constitui uma das bases para a redução das desigualdades e para a construção de uma sociedade democrática.

Da mesma forma, a ciência não pode ser tratada como questão circunstancial. Em um mundo marcado pela emergência climática, pela inteligência artificial, pela transformação digital e pelo crescente interesse por terras raras e minerais críticos, produzir conhecimento e desenvolver tecnologias são condições para que o Brasil exerça sua soberania e defina seus próprios caminhos de desenvolvimento.

Isso exige financiamento público compatível com as responsabilidades das instituições e com previsibilidade; valorização das pessoas que constroem cotidianamente nossas instituições; respeito à autonomia universitária; e condições para que as Universidades Federais continuem formando pessoas, produzindo conhecimento e contribuindo para a sociedade brasileira.

Defendemos uma universidade pública democrática, diversa e inclusiva.
As políticas de ações afirmativas, a expansão e a interiorização das universidades e as políticas de assistência e permanência estudantil transformaram a educação superior pública brasileira. Milhões de pessoas passaram a enxergar na universidade uma possibilidade concreta de transformação de suas vidas. Esses avanços precisam ser preservados e aprofundados.

Defendemos a continuidade e o aperfeiçoamento das ações afirmativas, o financiamento adequado da permanência estudantil, a igualdade de oportunidades para mulheres e homens, a inclusão das pessoas com deficiência, o enfrentamento ao racismo, às violências, às discriminações e aos assédios e a valorização da diversidade que caracteriza a sociedade brasileira.

Defendemos um projeto de desenvolvimento comprometido com a soberania, a justiça social e a sustentabilidade.
O Brasil possui extraordinárias capacidades científicas, culturais, ambientais e produtivas. Transformá-las em desenvolvimento exige políticas públicas de longo prazo, redução das desigualdades sociais e regionais, proteção dos biomas, enfrentamento da emergência climática, fortalecimento do Sistema Único de Saúde e da educação pública, desenvolvimento científico e tecnológico e geração de oportunidades para a população.

As Universidades Federais estão presentes em todas as regiões do país e constituem uma das principais infraestruturas estratégicas do Estado brasileiro para enfrentar esses desafios. Por isso, defendemos a construção de um Plano Nacional de Desenvolvimento da Rede IFES, capaz de articular a consolidação das instituições existentes, a superação das assimetrias entre universidades e campi e uma expansão planejada e sustentável da educação superior pública federal.

Defendemos um Brasil comprometido com a cooperação, a paz e o multilateralismo.
A soberania nacional não significa isolamento. O Brasil tem uma contribuição singular a oferecer ao mundo por meio da ciência, da cultura, da biodiversidade e de sua tradição de cooperação. Defendemos o multilateralismo e a construção de soluções compartilhadas para
os grandes desafios da humanidade.

É a partir desses princípios que a Andifes se posiciona diante das eleições de 2026.
Convidamos a comunidade universitária e toda a sociedade brasileira a participarem
ativamente deste momento da vida democrática do nosso país, contribuindo para um debate
público comprometido com o presente e o futuro do Brasil.

As eleições constituem uma oportunidade para reafirmarmos a importância da democracia, da educação pública, da ciência, da inclusão, da soberania nacional e do desenvolvimento sustentável na construção do país que queremos para as próximas gerações.

Conselho Pleno da Andifes
23 de setembro de 2026.