Com projeto de formação junto a povos originários no Cariri, UFCA passa a integrar Rede Caminhos das Águas, do Ministério da Cultura
Publicado em 08/05/2026. Atualizado em 08/05/2026 às 11h37
Diversos povos e comunidades tradicionais de todo o Brasil atuam na valorização, preservação e difusão da diversidade cultural dos povos indígenas no país. Para apoiar essas iniciativas e contribuir para o fortalecimento de suas ações, o Ministério da Cultura (MinC) lançou a segunda edição do projeto “Caminhos das Águas – Fortalecendo Fazeres e Saberes Artísticos e Culturais”.
Voltado a Instituições de Ensino Superior (IES) públicas, o projeto busca o fortalecimento da ação universitária na valorização da produção artística e cultural. Para isso, oferece ajuda de custo a iniciativas acadêmicas que promovam ações formativas, em diálogo com agentes culturais que atuem junto a povos originários.
Como forma de selecionar essas iniciativas, o MinC lançou chamamento público, em fevereiro de 2026, para que as IES brasileiras submetessem projetos relacionados a povos e comunidades tradicionais. A Universidade Federal do Cariri (UFCA), por meio da Pró-Reitoria de Cultura (Procult/UFCA), submeteu ao chamamento o projeto “Cartografia do invisível e educação dos sentidos em comunidades indígenas e periféricas do Cariri” e foi selecionada para integrar a ação nacional.
Sob coordenação da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli/MinC) e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), o Caminhos das Águas objetiva ampliar a rede que atua na formação de agentes culturais locais, para valorização e exaltação da cultura dos povos originários no país.
Com a aprovação no chamamento, a UFCA passou a compor – junto à Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), à Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e ao Instituto Federal da Paraíba (IFPB) – a rede que integra, em 2026, o Caminhos das Águas.
Capacitação cultural em uma perspectiva emancipatória
De acordo com João Dumont, servidor técnico-administrativo da UFCA e coordenador do “Cartografia do Invisível”, a proposta do projeto – que terá início, no Cariri, no próximo dia 12 de maio de 2026 – é trabalhar ações formativas com os agentes culturais de comunidades indígenas e periféricas da região (Ver Ações formativas no Cariri).
Segundo João, as atividades, no Cariri, serão focadas nos municípios cearenses de Brejo Santo, do Crato e de Juazeiro do Norte. A proposta, segundo ele, é trabalhar em uma perspectiva emancipatória.
“O projeto Caminhos das Águas trata sobre isso, principalmente na dinâmica de capacitar agentes culturais, de torná-los sujeitos autônomos de suas próprias histórias. E aí nós [com o Cartografia do invisível] temos como principal desafio essa imersão no território, para que possamos mapear e entender quais são as vertentes, as potencialidades, as fragilidades e as coisas que de repente estão submersas nessas águas que nós pretendemos resgatar”, pontua João.
Ações formativas no Cariri
A escolha de desenvolver o projeto nos três municípios citados ocorreu, conforme o servidor da UFCA, em virtude da incidência de povos originários nesses territórios. “Temos Brejo Santo, com a comunidade Isú-Kariri, temos o Crato, com a comunidade do Poço Dantas, e temos Juazeiro do Norte, com a Serra do Catolé, também conhecida como Serra do Horto”, destaca.
As ações formativas promovidas pelo projeto “Cartografia do invisível” serão compostas por um total 60 horas/aula, estruturadas em quatro eixos: Olhos d’Água (ancestralidade); Identidade, Acessibilidade e Diversidade; Laboratório de Cartografia do Invisível (expedições de campo) e Gestão e Elaboração de Projetos Culturais.
A mediação das atividades será conduzida por uma equipe de agentes formadores, composta pela gestora cultural e pesquisadora Ana Cláudia Isidoria, pela narradora de histórias e professora Elisabete Pacheco e pelo coordenador do projeto na UFCA, João Dumont.
O projeto “Cartografia do Invisível” conta, ainda, com a parceria da Rede Permanente de Apoio aos Mestres da Cultura, com a colaboração, entre outros, do instrumentista e compositor DiFreitas, do Mestre Francorli e da Mestra Marinêz.
A expectativa é que sejam atendidos, até o início de junho de 2026 (período de conclusão do projeto), 30 agentes culturais no território caririense. O cronograma de ações prevê que o trabalho será realizado por meio de atividades teóricas e vivências práticas nas comunidades atendidas pelo projeto.
“Além da valorização cultural, o projeto gera autonomia técnica e econômica ao capacitar agentes locais na gestão e elaboração de projetos para editais de fomento, garantindo que as comunidades possam gerir seus próprios ativos”, destaca João Dumont.
Ao fim das ações formativas, os participantes do Cariri, bem como das demais regiões brasileiras que integram o Caminhos das Águas, poderão concorrer a um edital nacional, intitulado “Olhinhos D’Água”, que premiará dez projetos culturais idealizados por agentes locais.
Serviço
Pró-Reitoria de Cultura
procult@ufca.edu.br