Ansiedade com o Covid-19? 10 maneiras de como lidar

Atualizado em 21/03/2020 às 20h52

Corações bordados em parede no campus Juazeiro do Norte. Divulgação: IISCAmbau UFCA

Em tempos de cuidados com a saúde, o Brasil vive outra epidemia preocupante: a de ansiedade. Conforme levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), quase 10% da população brasileira são de pessoas ansiosas, o que nos torna campeões mundiais em matéria de ansiedade.

O estado de alerta provocado pela pandemia do novo coronavírus vem contribuindo para robustecer o time de ansiosos e também para aumentar a ansiedade de quem já convivia com ela. O chamado Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) se caracteriza pela expectativa apreensiva e pelo medo de situações comuns, a ponto de interferir na rotina do indivíduo.

“A ansiedade é um sentimento desagradável de medo, de apreensão e de tensão, derivado da antecipação que a pessoa realiza de uma situação de perigo, ou de algo que é desconhecido e estranho para ela. É um sentimento funcional, que faz parte da natureza humana e, por isso, está presente, em alguma medida, na vida de todos. Ter ansiedade muitas vezes nos coloca em posição de alerta, nos deixando mais cautelosos na dedicação aos estudos para uma prova, por exemplo. No entanto, a ansiedade pode ser prejudicial quando excede seu limite funcional e passa a afetar a cognição e o comportamento da pessoa, trazendo sintomas psicológicos e fisiológicos”, explica a psicóloga Ana Virgínia Mendes, da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae/UFCA), integrante do Comitê Interno de Enfrentamento ao Covid-19 (Cieco-19/UFCA).

Para a profissional, o cenário contemporâneo de enfrentamento da pandemia gera dúvidas sobre o futuro, razão pela qual os quadros ansiosos têm se intensificado: “No caso do novo coronavírus, não sabemos ainda como será a disseminação do vírus em nossa região, [como será] o quadro [de saúde] das pessoas que adquirirem a doença Covid-19 e o tempo que levará para cessar a necessidade do distanciamento social preventivo. [Essa] realidade tem sido percebida com incerteza e insegurança por muitos”, afirma Virgínia.

Os sintomas mais comuns da ansiedade são dificuldade em relaxar, angústia constante, irritabilidade aumentada, insônia e baixa concentração, mas também são comuns sintomas físicos como dores de cabeça, dores no estômago, tontura, formigamento e taquicardia.

O distanciamento social exigido para a contenção do vírus e a atenção a problemas menores, como saber quem tem Covid-19 ou não (mesmo o tratamento sendo direcionado para os sintomas, não para a cura) vêm aumentando a preocupação persistente de parte das pessoas. Com a alta infectividade do novo coronavírus, o foco no rastreio epidemiológico pode desviar a atenção das pessoas para as medidas de prevenção de contágio – como seguir os protocolo de entrada (link para uma nova página) e de saída (link para uma nova página) de casa e de convívio com grupos de risco (link para uma nova página) e manter o distanciamento social. Daí a necessidade de tentar deixar a ansiedade sob controle.

“Deve-se considerar que o desequilíbrio funcional-social causado pelo coronavírus momentaneamente não pode ser superado. E, contra aquilo que ainda não se pode ter controle, tentamos aprender a lidar, buscando, através da mudança de rotina, alternativas que tornem esse período uma experiência também de desenvolvimento”, destaca a psicóloga.

Outro risco para as mentes ansiosas é passar do ponto no consumo de notícias, ainda que confiáveis, sobre o novo coronoavírus. A “pauta única” nos lares confinados faz com que as pessoas não percebam outras necessidades além de manter hiperfoco no tema, o que também abala a capacidade individual de analisar com objetividade e clareza as informações recebidas: “Para uma mente pouco habilidosa em lidar com manchetes de jornais e dados estatísticos, receber informações e selecionar o que mais parece evidente intensifica o pânico e o desespero. Afinal, faz parte do nosso processo adaptativo pensar no pior como tentativa de se proteger”, detalha.

A exemplo do que fez a eletricidade no início do século passado, a internet trouxe mudanças profundas no modo de vida contemporâneo, impactando o consumo, os relacionamentos e o comportamento social das pessoas. Apontada por muitos como vetor de aumento da ansiedade, a internet pode, diante da necessidade de distanciamento social, ser uma aliada para tornar suportável a espera pela reversão do quadro epidemiológico em torno do Covid-19, desde que usada com responsabilidade. Pela internet, é possível fazer cursos a distância, conversar com amigos e familiares, assistir a filmes, estudar e até pesquisar sobre o novo coronavírus. O desafio é dosar o tempo navegando e não esquecer as atividades offline, como comer bem e praticar exercícios em casa.

“O momento não precisa ser compreendido como isolamento por si só. A tecnologia pode ser utilizada para manter o contato com as pessoas e, dentro do que é possível, para trabalhar em algumas atividades até o fim da quarentena. Isso pode auxiliar na ansiedade daqueles que temem perder o ritmo que tinham conquistado. Afinal de contas, a realidade com o coronavírus é passageira: em algum momento, a situação começará a voltar à normalidade e será importante ter cuidado de sua saúde mental durante o período”, acredita.

10 coisas que se pode fazer para lidar com a ansiedade

  1. Aceitar que não se tem domínio sobre o contexto epidemiológico, apenas sobre os cuidados preventivos e contingenciais
  2. Ter em mente que a necessidade de distanciamento é passageira
  3. Regular o tempo que se passa na internet consumindo notícias
  4. Não difundir informações que você não sabe se são de fontes confiáveis. Informações falsas podem aumentar a ansiedade de terceiros
  5. Não descuidar da alimentação
  6. Beber água com frequência
  7. Fazer atividades físicas em casa
  8. Estar em contato permanente (por meios virtuais) com pessoas queridas
  9. Meditar
  10. Apreciar arte, como música, literatura, filmes e apresentações de dança disponíveis na internet

E lembrar: vai passar!

Serviço

Comitê Interno de Enfrentamento ao Covid-19 (Cieco-19/UFCA)
cieco19@ufca.edu.br