Engenheira agrônoma egressa da UFCA assina primeiro guia do Brasil sobre ESG para startups e pequenas e médias empresas

Publicado em 22/01/2026. Atualizado em 22/01/2026 às 19h02

Nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, Daniele entregou um exemplar do livro ao reitor da UFCA, Silvério Freitas. Foto: Davi Moreira - Dcom/UFCA

Incentivar modelos de gestão de startups e de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) baseados na sustentabilidade como estratégia de crescimento. Esse foi o objetivo de um guia prático desenvolvido pela engenheira agrônoma Daniele Cruz Grangeiro, egressa da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

Com o título “Bioeconomia & ESG – o primeiro guia prático brasileiro para ESG em PMEs e Startups”, a obra une temáticas como ciência, inovação e gestão para demonstrar como aplicar os princípios ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) à realidade empresarial brasileira.

ESG é um conjunto de práticas que relacionam conservação do meio ambiente, responsabilidade social e gestão de seus processos internos, com foco na transparência.

Conforme o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o ESG mostra o quanto um negócio está disposto a buscar maneiras de minimizar seus impactos no meio ambiente e de construir um mundo mais justo e ambientalmente responsável.

Já a bioeconomia é um modelo econômico sustentável que usa recursos biológicos renováveis (plantas, animais, microrganismos) e conhecimentos científicos e tradicionais para gerar produtos, serviços e energia. Esse modelo visa à substituição da economia convencional, baseada em combustíveis fósseis.

Daniele concluiu o curso de agronomia da UFCA em 2022. Em seguida, a profissional ingressou no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Vegetal (PPGBV/UENF), no Rio de Janeiro. Atualmente, ela é doutoranda desse mesmo programa.

Nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, Daniele esteve no campus Juazeiro do Norte para entregar um exemplar do guia ao reitor da UFCA, Silvério Freitas. 

Ponto de Partida

O ponto de partida para idealizar o livro, conforme Daniele, veio quando ela ainda era discente do curso de agronomia da UFCA, após ter cursado a disciplina “Biotecnologia de Produtos Naturais”. Na UFCA, essa disciplina faz parte do grupo de optativas do curso de agronomia e é lecionada pela professora Allana Kellen Lima – que também orientou Daniele em projetos de Iniciação Científica.

Allana Kellen (em primeiro plano), Daniele Cruz e Eduardo Nascimento (estudantes de agronomia, à época) durante atividade no campo de cultivo do campus Crato da UFCA. Foto: acervo pessoal – Allana Kellen

O livro, publicado de forma independente, foi escrito em parceria com o professor Gonçalo Apolinário de Souza Filho, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

A engenheira agrônoma também destaca os diversos trabalhos voltados à produção de bioprodutos que desenvolveu durante sua formação na UFCA. De acordo com Daniele, esses produtos tinham potencial de aplicação nos setores agrícola, farmacêutico e cosmético. 

“Essas pesquisas sempre estiveram conectadas à bioeconomia e à valorização da biodiversidade regional, e desde a graduação já existia a percepção de que muitos desses resultados poderiam evoluir para modelos de negócio, startups e soluções inovadoras, especialmente se alinhados a critérios de sustentabilidade”, complementou.

Integrar produtividade, sustentabilidade, inovação e impacto social

Logo quando ingressou no mestrado, Daniele percebeu que havia uma lacuna: o ESG era muito discutido, mas pouco operacionalizado, especialmente por PMEs e startups. O livro, conforme Daniele, foi desenvolvido justamente para preencher essa lacuna.   

“Essa visão se consolidou e ganhou mais robustez no mestrado, quando avaliei mais de 60 startups de base biotecnológica, analisando o potencial de mercado sob a ótica dos critérios ESG e das demandas nacionais e internacionais”, afirma.

Para a profissional, escrever um livro sobre essa temática é fundamental porque a formação acadêmica tradicional em agronomia ainda é focada na produção. O mercado, segundo ela, exige profissionais capazes de integrar produtividade, sustentabilidade, inovação e impacto socioambiental. 

Serviço

Centro de Ciências Agrárias e da Biodiversidade
ccab@ufca.edu.br