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Seminário do Doutorado Interinstitucional UnB/UFCA


 

Longos períodos de estiagem aumentam a aridez do solo e trazem consequências diretas para as populações, sobretudo do sertão, impondo aos gestores públicos, às organizações sociais e públicas, às Universidades, à sociedade de maneira geral e a cada um nós enquanto cidadãos, desafios de convivência com a Região e a responsabilidade quanto ao seu desenvolvimento.

Embora a disponibilidade de água no semiárido nordestino esteja relacionada a fatores climáticos, não se pode esquecer que ações do homem também afetam o clima. Enquanto sociedade, ainda temos muito que avançar na construção de alternativas tecnológicas, sociais e políticas efetivas que denotem um renovado compromisso ético com o desenvolvimento regional a partir de uma convivência sustentável com o semiárido, fazendo da aridez uma vantagem.

Afinal, o Nordeste brasileiro dispõe de uma incidência solar e de ventos favoráveis à produção de energia durante todo o ano. Mesmo na época da seca, a água do subsolo e nas bacias sedimentares são fontes renováveis de recursos hídricos, desde que bem aproveitadas com tecnologias adequadas e com a necessária educação ambiental. As belezas naturais e a fé movimentam o setor turístico local, atraindo visitantes nos ciclos de romarias, de todos os lugares do país e de diferentes cantos do mundo.

O relevo da região, com suas serras, montes, chapadas e cascatas, proporcionam a prática de esportes radicais, do turismo tradicional e denotam um potencial para o ecoturismo. A biodiversidade e as riquezas paleontológicas locais são capazes de gerar produtos científicos e comerciais altamente valorizados e de relevância internacional, capaz de despertar o interesse de grandes universidades, centros de pesquisa e laboratórios, além de ser um fator de desenvolvimento endógeno pelo aperfeiçoamento do manejo pelas comunidades tradicionais.

A diversidade cultural nos territórios que compõe o semiárido nordestino é um destaque à parte, somando expressões tradicionais com manifestações na música, na dança e na escultura de cerâmica, madeira, palha e tecido. Em todos esses contextos, as populações locais, sobretudo nos lugares mais secos, destacam-se pela criatividade e adaptabilidade às condições naturais e anseiam por um semiárido fértil e produtivo para essas e futuras gerações. Em torno das potencialidades do semiárido nordestino, a questão do desenvolvimento territorial é um tema urgente e que merece um debate crítico e analítico, em busca de alternativas sustentáveis.

É nesse sentido que a turma de doutorandos em Desenvolvimento Sustentável (UnB-CDS/UFCA) oferece à comunidade local e a todos os interessados, uma oportunidade de debater sobre o semiárido nordestino a partir de duas importantes palestras e a apresentação de sete projetos de tese que abordam temas diversos, voltados para a Região do Cariri, na perspectiva de um desenvolvimento endógeno e respaldados pelos princípios da sustentabilidade.