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Penúltima noite da Mostra UFCA reflete sobre artes, humanidades e qualidade de vida estudantil

Quinta, 08 Novembro 2018 21:31
Penúltima noite da Mostra UFCA reflete sobre artes, humanidades e qualidade de vida estudantil Emanoella Callou - DCOM
Nesta quinta-feira (8), a programação noturna da quinta Mostra UFCA seguiu a linha de debates sobre o papel da universidade, dessa vez sob a ótica das artes e das humanidades. Além disso, a noite de quinta-feira também trouxe dados e desafios sobre a assistência estudantil na Universidade Federal do Cariri (UFCA). Duas mesas redondas abordaram os temas, no auditório Beata Maria de Araújo.

A primeira mesa, "Qual o lugar das artes e das humanidades na universidade?", foi composta por dois professores da UFCA: o músico Ricardo Nogueira de Castro Monteiro e o filósofo Fernando Sepe Gimbo. Ricardo contou uma história curiosa sobre o etnólogo alemão Adolfo Bastian, na tentativa de responder o questionamento título da mesa: "Bastian era um materialista radical e acreditava que todas as culturas humanas tinham em comum determinados arquétipos psíquicos. Ele encabeçou uma grande pesquisa de campo pelo mundo buscando comunidades que não 'desperdiçassem tempo' com 'inutilidades' que não contribuíam para necessidades materiais, como seria o caso da arte e da religião. Essa pesquisa do Bastian não encontrou nenhuma comunidade, em todo o mundo, que não dedicasse seu tempo a atividades artísticas ou religiosas", disse.
 
Segundo Ricardo, foi a partir daí que se começou a pensar se o ser humano é, de fato, um animal "racional" ou se ele seria um animal "simbólico", baseando sua existência em significar o que o rodeia: "É possível notar que a arte não é um elemento secundário [na vida humana]. A arte faz parte da essência do ser humano. A existência humana não consegue prescindir da arte", argumentou.                            
 
Para Fernando Gimbo, segundo orador da noite, a proposição título da mesa redonda tem tom polemista: "Seria estranho perguntar, no lugar de humanidades, 'qual o papel da ciência na universidade?'. Ora, a universidade é o lugar próprio da ciência. Então, antes de responder essa questão, é preciso pensar de qual universidade estamos falando. A universidade nasce na Idade Média para formar elites políticas e, com o tempo, foi assumindo o papel de consolidar o Estado Moderno, de formar uma força produtiva e de sistematizar uma burocracia que permitisse a gestão desse Estado. Num terceiro momento, a universidade veio integrar um modelo fordista de produção, que promove a especialização para o aumento da produtividade de profissionais. A universidade, portanto, deixa de lado essa formação integral e ampla do cidadão para focar na formação de profissionais produtivos para o mercado. Não há problema até aí. O problema é quando se acha que desenvolvimento material é necessariamente desenvolvimento humano. As artes e as humanidades têm papel fundamental na formação democrática dos sujeitos", afirmou.

Na sequência, teve início a mesa redonda 
"Os desafios da assistência estudantil na universidade", composta pela enfermeira Mirna Fontenele de Oliveira, pelo assistente social Marcos Bueno Peixoto e pela psicóloga Ana Virgínia Mendes - os três servidores da UFCA, lotados na Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis  (Prae/UFCA). Introduzindo o tema, Marcos citou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9394/96) e o Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes - Decreto nº 7.234/2010) como norteadores do trabalho da Prae: "É o Pnaes, por exemplo, que define as áreas de desenvolvimento das ações de assistência estudantil, objetivando a promoção da inclusão social pela educação. Desde a criação da UFCA até agora, o número de estudantes que precisam de assistência estudantil aumentou muito, mas os recursos que temos para conceder os auxílios são praticamente os mesmos. Além disso, trabalhamos com uma equipe multidisciplinar pequena para atender uma demanda crescente. É um desafio para nós", disse. 

Já Ana Virgínia alertou sobre fatores da vida acadêmica que podem levar ao sofrimento psíquico de estudantes: "retenção e evasão acadêmica, preocupações com o êxito, mercado de trabalho em crise, mudança de residência para estudar e o consequente distanciamento do núcleo familiar, extensa carga horária, competitividade, exigências autoimpostas... Tudo isso pode levar ao adoecimento mental dos estudantes. Há ainda cursos em que esse adoecimento é legitimado, sendo considerado normal a privação de sono, de lazer, de uma boa alimentação e de tempo com a família. Na UFCA, a Prae conta com apenas duas psicólogas, que acabam focando sua atuação no eixo de maior demanda, que é o Crajubar [Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha]. Em Brejo Santo, só há possibilidade de visita a cada 15 dias", relatou.

Finalizando a noite, Mirna Fontenele destacou os esforços da Prae para a promoção de qualidade de vida do corpo discente: "Hoje, na Prae, nós trabalhamos numa perspectiva ampliada de saúde, compreendendo-a como qualidade de vida. E para alcançar qualidade de vida é preciso ter educação em saúde. Então, a Prae dispõe de uma divisão de atenção à qualidade de vida, bem recente, que promove campanhas de vacinação, de educação em saúde bucal, de educação alimentar, entre outras. Sabemos que os nossos serviços ainda não atendem a todas as demandas dos nossos estudantes, mas fazemos tudo o que os nossos recursos atuais permitem. Para nós, os desafios não devem nos estagnar, mas nos impulsionar", concluiu.

Acesse fotos da penúltima noite da Mostra UFCA.

Mostra UFCA

 
A quinta edição da Mostra UFCA reúne a comunidade acadêmica, até o dia 9 de novembro, para apresentação de ações de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura desenvolvidas, em 2018, tanto na UFCA quanto em instituições de ensino diversas do Cariri. Ao todo, 553 atividades foram aprovadas para compor a programação acadêmica. A organização divulgou, ainda, a programação cultural  da Mostra.
 

Serviço
 
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