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Mesa da Mostra UFCA destaca importância da ciência e solidariedade no aprendizado

Segunda, 05 Novembro 2018 20:31
Mesa de Abertura da V Mostra UFCA Mesa de Abertura da V Mostra UFCA Romênia Gomes - DCOM
A mesa diretiva de abertura da quinta edição da Mostra UFCA ocorreu na noite desta segunda-feira (5), no auditório Beata Maria de Araújo do campus Juazeiro do Norte da Universidade Federal do Cariri. Antes, pela manhã, a Mostra já havia iniciado as suas atividades, na Faculdade de Medicina (Famed/UFCA), com o terceiro Fórum de Internacionalização da UFCA.

A mesa à noite foi composta pelo Reitor em exercício da UFCA, Robson de Almeida; pelo Pró-Reitor adjunto de Ensino (Proen), Rodolfo Jakov; pelo Pró-Reitor adjunto de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PRPI), Rafael Perazzo; pelo diretor do Instituto de Formação de Educadores (IFE), Rodrigo Lacerda, e pela Mestre de Cerimônia do Cerimonial e Apoio a Eventos da UFCA (Ceape/UFCA), Débora Bezerra de Menezes. Saudando os presentes, o Reitor em exercício exaltou o trabalho da organização da Mostra: "Não é fácil a organização de um evento dessa magnitude: demanda muitas horas de trabalho e muita dedicação dos envolvidos. Espero que esse evento seja de muito proveito para todas e todos. A programação está riquíssima, tem atividades para todos os gostos, desde a iniciação científica à programação cultural", disse. 
 
Na sequência, os presentes assistiram à palestra "O valor da ciência para a humanidade", ministrada pelo professor de Física da Universidade Federal do Ceará (UFC), Antônio Gomes de Sousa Filho. Antônio criticou ataques comumente proferidos contra a universidade e a pesquisa brasileiras, em especial os que qualificam como "gasto" os investimentos no setor: "O Brasil precisa decidir se quer fazer ciência ou não. A universidade faz muitas coisas boas, mas isso parece não ter eco na sociedade. Para citar um exemplo recente, o que se sabe hoje sobre o Zika Vírus, no mundo todo, é fruto do trabalho de cientistas brasileiros. O Instituto Evandro Chagas, no Pará, já está testando vacinas! Isso não é por acaso. Os investimentos no trabalho desses pesquisadores não foram jogados fora", disse.
 
Antônio destacou ainda o avanço da ciência como crucial até mesmo para a manutenção da espécie humana: "a humanidade levou 200 mil anos para atingir 1 bilhão de habitantes. Com a escrita (inventada há 5 mil anos) e a consequente transmissão da cultura pelas gerações, nós descobrimos que coisas simples, como lavar as mãos, polpam vidas. Infecções consideradas banais hoje matavam populações inteiras no passado e os antibióticos ampliaram muito a nossa expectativa de vida. Como resultado, só nos últimos 200 anos, nós chegamos a 7 bilhões de habitantes e devemos chegar a 10 bilhões no ano de 2100. Isso só é possível por causa da ciência", afirmou. Ainda de acordo com o professor Antônio, a humanidade precisa se tornar sustentável se quiser sobreviver: "Temos ilhas de lixo no Oceano Atlântico do tamanho do território da França. Qual a nossa legitimidade para fazer isso? Essa arrogância humana pode levar à sua própria destruição. Nós somos frágeis e só podemos viver em condições de temperatura e pressão muito específicas, brutalmente impactadas pelo descaso que temos com o meio ambiente. Então reconhecer essa arrogância é quase uma questão também de sobrevivência para a humanidade".
 
A programação também contou com a palestra "Aprendizagem cooperativa e solidária como princípio promotor de justiça social", do professor de Química da UFC, Manoel Andrade Neto. Desde 1994, Manoel tem atuado em comunidades de origem popular com o objetivo de formar lideranças e promover o empoderamento comunitário: "Eu sou da comunidade rural do Cipó [em Pentecoste, a 90 km de Fortaleza] e tive oportunidade de entrar na universidade, o que ampliou minha visão sobre o mundo e me fez ter uma promoção social. Não tenho nenhuma formação em Sociologia ou algo do tipo, mas eu tenho profundo interesse em questões mais relacionadas à justiça social porque eu sou fruto do que o conhecimento é capaz de fazer por alguém", disse.
 
De acordo com o professor, a aprendizagem deve ser cooperativa [reunião de pessoas agindo para um objetivo comum] e solidária [reunião de pessoas em que parte delas define um objetivo e a outra parte, mesmo sem precisar, atua para que ele seja alcançado]: "Eu sou professor e sei que, em toda sala de aula, parte dos alunos fica para trás, não entende o que está sendo dito. Na UFC, metade dos alunos que ingressam em cursos de graduação não concluem a formação. Geralmente, esses alunos que ficam para trás vão perpetuando também uma desigualdade social. Então, eu considero importante estimular a solidariedade no aprendizado. Todo mundo sai ganhando", acredita. Com esse norte, o professor vem defendendo um novo tipo de escola para o Ceará, com foco também nas emoções dos estudantes: "É aí que a aprendizagem funciona. As pessoas são capazes de aprender e meu trabalho tem sido convencê-las disso".

Acesse fotos do evento.

Mostra UFCA

Com o tema "Reflexões e desafios para a promoção da justiça social", a quinta edição da Mostra UFCA reúne a comunidade acadêmica, até o dia 9 de novembro, para apresentação de ações de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura desenvolvidas na UFCA e em instituições diversas do Cariri em 2018. Ao todo, 553 atividades foram aprovadas para compor a programação acadêmica. A organização divulgou, ainda, a programação cultural atualizada da Mostra.
 
Serviço
 
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