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Dia do Estudante: conheça histórias de quem teve a vida transformada ao ingressar na universidade pública

Quinta, 11 Agosto 2016 00:06
Igor, Marcondes e Edilânia estão entre os 2.813 estudantes de graduação da UFCA Igor, Marcondes e Edilânia estão entre os 2.813 estudantes de graduação da UFCA Gabriela Meneses

Neste 11 de agosto, em homenagem ao Dia do Estudante, a Universidade Federal do Cariri apresenta histórias de superação e inclusão social 

 
Quando Igor Gabriel Gomes Carvalho, 21, Cícera Edilânia Araújo Januário, 17, e Marcondes Guedes da Silva, 20, iniciaram a vida escolar, ingressar no ensino público superior federal era ainda um projeto distante. Não só pelos anos que demorariam para chegar a essa etapa, mas pela distância e as dificuldades que a vida lhes apresentava. Estudantes de escolas públicas em cidades pequenas do interior dos estados do Ceará e Pernambuco, eles aprenderam, pelo exemplo de luta e incentivo dos pais, a se dedicar ainda mais aos estudos. Também tiveram a oportunidade de ingressar no ensino superior, num cenário fértil de interiorização das instituições de ensino, políticas de ações afirmativas e ampliação do acesso às universidades, por meio do sistema nacional de seleção (Enem/Sisu).
 
Hoje, eles fazem parte dos 2.813 estudantes de graduação que compõem a universidade. São 2.813 vidas que diariamente, dedicam-se ao ensino e à pesquisa. Desenvolvem projetos de extensão e cultura, compartilhando com a sociedade o conhecimento aprendido. Desenvolvem uma profissão. Transformam-se e transformam o local em que vivem social, política e economicamente. 
 
A caminho do 8º semestre de Engenharia Civil, o estudante Igor Gabriel, de Exu-PE, se reconhece outro, após o ingresso na universidade. "Além da enorme gama de conhecimentos técnicos adquiridos que constroem a cada dia o meu perfil profissional, adquiri conhecimentos interdimensionais de extrema importância que me fizeram criar uma outra visão do mundo. O contato com as pessoas e com experiências que a universidade proporciona foi e é fundamental para a minha formação profissional e humana", ressaltou. Escolheu a UFCA por ser mais próximo de sua cidade natal e por ter o curso que desejava fazer. "Facilitou muito o meu acesso ao ensino superior, visto que o deslocamento para outras localidades demandaria custos maiores que não sei se seriam viáveis economicamente para minha família".
 
O ingresso não foi fácil. Apesar de ter estudado em escola pública com regime semi-integral e nível de qualidade de ensino e estrutura superior às demais do estado, enfrentou dificuldades com estrutura física insuficiente e currículo deficiente. Desdobrava-se para estudar na escola, na biblioteca municipal e em casa. Nos fins de semana participava de um pré-vestibular gratuito disponibilizado pela Universidade de Pernambuco. Ingressou na UFCA por meio das cotas para candidatos autodeclarados pretos ou pardos de baixa renda que concluíram o ensino médio em escola pública. E só cresceu. Hoje quer atuar no mercado de trabalho como projetista, engenheiro executivo ou mesmo empreendedor. "A experiência com a empresa Júnior de Engenharia Civil da UFCA (Projetta) está sendo de enorme satisfação. O fato de ser parte de uma iniciativa empreendedora e ser diretamente responsável pelos resultados é motivador". 
 
Quem também acredita que amadureceu para a vida e para o mercado de trabalho foi Edilânia Araújo, que, com apenas 17 anos, já está a poucos passos do 4º semestre do curso de Música. "Eu consegui ser bolsista, o que achava impossível. Desde então, consigo minhas coisas. Minha vida mudou completamente depois de ser estudante da UFCA. O que era difícil agora me faz sonhar cada vez mais. Um mestrado, pra mim, já não é mais impossível", destaca. Ela, que também ingressou por meio de cota para candidatos autodeclarados pretos ou pardos de baixa renda que concluíram o ensino médio em escola pública, queria estudar numa universidade desde criança. Reconhecia nisso a melhor maneira de "ser alguém na vida". 
 
Como cresceu em Milagres-CE, o local mais próximo era a UFCA. Inclusive, optou por já cursar o ensino médio em uma escola pública de ensino profissionalizante no Crato. Para conseguir a vaga, dedicou-se aos estudos, com a ajuda dos professores. Agora, quer ajudar outros na busca pelo conhecimento. "Pretendo ajudar mais pessoas a acreditarem e realizarem seus sonhos, de maneira que eu possa passar para quem possível for, meus conhecimentos adquiridos".
 
Filho mais novo de uma família de nove, Marcondes cresceu no assentamento 10 de Abril no Crato. Sempre quis cursar Medicina. Talvez por presenciar a atuação da mãe, como agente comunitária de saúde. E pela proximidade com estudantes de Medicina. "Na época, entre 2001 e 2003, quando Barbalha era um campus avançado da Universidade Federal do Ceará, recebemos alguns projetos dos estudantes no assentamento". No ensino médio, deixou a escola do assentamento para se dedicar aos estudos em uma escola estadual. Percebeu algumas deficiências e decidiu estudar para ingressar no Instituto Federal do Ceará. Quando passou, estava iniciando o 2º ano e voltou ao 1º ano para recomeçar o ensino médio.
 
Já no final, iniciou, junto aos estudos regulares, um cursinho pré-vestibular com desconto nas mensalidades. Escolheu a UFCA pela facilidade de acesso e permanência. "O fato de ter uma faculdade que oferece o curso desejado proporciona para o estudante um estado de maior segurança e bem estar, pois permite a proximidade com os familiares e está localizada em uma região que é conhecida pelo discente", disse. Também ingressou por meio de cota para candidatos autodeclarados pretos ou pardos de baixa renda que concluíram o ensino médio em escola pública. Agora, que segue para o 2º semestre, quer aproveitar o que puder do curso e, em seguida, ingressar na residência médica. Com pouco tempo, já criou o gosto pela docência. "Tenho em mente não só o exercício da medicina mas também a docência na área".
 

Inclusão social 

De acordo com dados da Pró-reitoria de Ensino, de 2014 até o momento, o número de ingressantes nos 14 cursos de graduação da UFCA só tem aumentado. Foram 659, em 2014; 813, em 2015; em 2016, até o momento, já são 890. Além disso, a universidade conta com 172 estudantes na pós-graduação, distribuídos em Residências Médicas; na especialização em Gestão em Ambientes de Informação; e nos programas de Pós-graduação em Biblioteconomia (mestrado profissional); Matemática em Rede Nacional (mestrado profissional); Multicêntrico na área de Bioquímica e Biologia Molecular (mestrado acadêmico) e em Desenvolvimento Regional Sustentável (mestrado acadêmico). Este ano ainda estão previstas para iniciar a especialização em Permacultura e em Inovação Social em Economia Solidária. 
 
Dentre esses estudantes, há os que ingressaram por meio de políticas de ações afirmativas, que têm contribuído para a democratização e a pluralidade do ensino superior federal. De 2014 até o primeiro semestre de 2016, 805 discentes ingressaram por meio de cotas sociais, estabelecidas pela Lei nº. 12.711, de 29 de agosto de 2012.
 
Para o reitor Pro tempore da UFCA, professor Ricardo Ness, a inclusão social na universidade tem sido fundamental para a formar os jovens da região do Cariri e proximidades. "O fato de na região existir uma universidade pública federal, como tal, baseada nos princípios constitucionais da gratuidade do ensino e com acesso aos seus cursos por meio do Enem/Sisu, indica, por si só, um caminho para a inclusão dos jovens da região do Cariri e entorno proporcionando-lhes uma formação profissional de nível superior com qualidade", disse.
 
De acordo com o reitor, "tomando como base os 829 ingressantes em 2016 na UFCA, dos quais 78% são alunos oriundos de escola pública, grupo estatisticamente reconhecido como economicamente vulnerável, podemos afirmar que as políticas de inclusão social, baseadas principalmente na oferta de bolsas e auxílios diversos, com destaque para o auxílio moradia, juntamente com o binômio ENEM/Sisu e o sistema de cotas, beneficiam e garantem a esses jovens acesso e permanência no ensino superior de qualidade antes impensável para a maioria".  
 
Ele ressalta que, uma vez na universidade, o estudante tem a possibilidade de participar, com remuneração ou em caráter voluntário, de diversas atividades, como programas de iniciação à docência, de aprendizagem de células estudantis, de projeto de ensino, de ensino e extensão, de iniciação científica, de iniciação acadêmica, de aprendizagem prática, grupos PET, ações de extensão, ações de cultura, de empresas júnior e grupos de pesquisa. "Hoje temos na UFCA 499 alunos bolsistas", destaca. 
 
Ainda conforme o reitor, a presença, inicialmente do campus da Universidade Federal do Ceará, e, após 2013, da UFCA, fez surgir uma nova realidade na região que "proporciona ao estudante caririense ter próximo de casa a possibilidade de ingresso numa universidade federal e de obter, com gratuidade e qualidade, a conclusão de um curso superior, em área relevante para desenvolvimento social, econômico, tecnológico e cultural da região". "A presença do antigo campus [UFC] e mais recentemente da UFCA permitiu, até agora, a concretização dos sonhos de 1.252 sonhadores, digo, a formação 1.252 novos profissionais", pontua. 

 

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