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"Aos Ventos que Virão", de Hermano Penna, é exibido hoje, 18, no CCBNB

Quarta, 16 Dezembro 2015 16:39
Ventus Venturius, aos ventos que virão, aos ventos do futuro. A expressão latina nomeia o filme do diretor cearense Hermano Penna que será exibido nesta sexta-feira, 18, às 14h30, no auditório do Centro Cultural Banco do Nordeste do Cariri, como parte da programação da II Mostra UFCA. É a primeira vez que o cineasta, nascido no Crato, apresentará a obra na região. Além da exibição, haverá espaços para debate sobre o filme e o cinema brasileiro.   
 
O título não poderia ser mais apropriado. "Aos Ventos que Virão" é o lema de Brasília e faz referência à história do personagem principal, Zé Olímpio, nascido em Poço Redondo, Sergipe, e que mais tarde se torna político. No enredo, o ex-cangaceiro sergipano vai em busca de vida nova em São Paulo e consegue emprego na construção civil. De volta ao estado natal, enxerga em Brasília a possibilidade de ingressar na carreira política. 
 
A ideia de produzir o filme, de acordo com Hermano Penna, veio das andanças pelo sertão nordestino. "Numa dessas idas, eu soube de um personagem que foi do cangaço e depois se tornou um político de bastante prestígio no Estado. O personagem [do filme] foi construído a partir do personagem real José Francisco do Nascimento, o Zé de Julião. Ele foi um cangaceiro do bando de Zé Sereno, muito próximo a Lampião", contou Penna. 
 
O mesmo personagem inspirou o autor do longa "Sargento Getúlio" (1983) a produzir um documentário que deve ser lançado no ano que vem. "Muito Além do Cangaço" abordará a história de Zé de Julião, sem as nuances da ficção. "’Aos Ventos que Virão’ não é exatamente a biografia dele. Tem muitos elementos que são completamente diferentes do que aconteceu na vida do cangaceiro. Agora acabou de sair do forno um documentário sobre a vida dele", explicou. 
 
Apesar de falar sobre um cangaceiro, o filme que será exibido pretende relacionar o cangaço, a política e os sonhos que almejamos. "Há um rio subterrâneo que faz a relação entre o cangaceiro e o político no filme. É o desejo de construir um país, uma nação com justiça para todos. Brasília é um símbolo dessa esperança, dos ventos que virão. Ela ainda está para existir, realizar o sonho para o qual foi criada", refletiu. 
 
Hermano Penna comemora a oportunidade de exibir o longa no Cariri, por estar em sua terra natal e por contemplar, na tela, o trabalho de profissionais da região, entre eles, Jefferson Albuquerque Jr (direção de Arte e cenografia); Celinha Cariri (figurino) e Valmi Azevedo (aderecista). "Estou muito alegre de estar com a juventude local e fazendo referência aos artistas da região que convidei para trabalhar nesse filme", disse. 
 
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