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Projeto atua na construção de hortas em comunidades, escolas e cadeia pública

Quinta, 01 Junho 2017 08:46

A alimentação saudável tornou-se uma preocupação em meio à quantidade de produtos industrializados e com agrotóxicos que a população ingere diariamente. Essa preocupação vai além da escolha dos produtos e passa pelo modelo de produção de cada alimento consumido. Pensando na produção e no consumo de alimentos mais naturais, estudantes e professores do curso de Agronomia da Universidade Federal do Cariri (UFCA), por meio do Programa de Educação Tutorial (PET), vinculado à Pró-reitoria de Ensino (PROEN), em parceria com programas e projetos ligados à Pró-reitoria de Extensão (PROEX), promovem a construção de hortas horizontais e verticais em comunidades, escolas e cadeia pública.

A ideia é levar os conhecimentos adquiridos em sala de aula e por meio da pesquisa sobre a produção de diferentes tipos de frutas e hortaliças para consumo próprio. Atualmente, a equipe é formada pelo professor Felipe Thomaz da Camara, tutor do PET Agronomia; 12 bolsistas também do PET Agronomia; além da professora Deiziane Lima Cavalcante, coordenadora adjunta do Programa Institucional de Extensão (PIE) Agroecologia, Sustentabilidade e Tecnologias Socioambientais; um bolsista do PIE; e três bolsistas de dois projetos de extensão do Protagonismo Estudantil. No momento, eles atuam na Sociedade Cratense de Auxílio aos Necessitados (SCAN), localizada na comunidade do Gesso, no Crato; em duas escolas públicas (José do Vale, no Crato, e Colégio da Polícia Militar, em Juazeiro do Norte); na cadeia pública do Crato; e em cerca de cinco residências para suprir necessidade familiar.

A atuação nesses lugares também conta com a parceria do projeto Nova Vida, do Crato, que atende 293 crianças/adolescentes, de 2 a 17 anos. É uma entidade não governamental e sem fins lucrativos, criada em 1992, cujas ações tem como foco uma educação para a cidadania.  
 
De acordo com o bolsista do PET, Pedro Bruno Xavier, do 7º semestre, depois que a comunidade adere ao projeto, a equipe vai preparar o espaço para receber a horta. Os professores e os estudantes selecionam as frutas e hortaliças que podem ser produzidas na área e analisam também a necessidade da comunidade. Entre as plantas escolhidas, estão maracujá, alface, cebolinha, coentro, quiabo, tomate-cereja, cenoura e beterraba. Todas podem ser aproveitadas na alimentação dos moradores ou dos detentos, no caso da cadeia pública, ou mesmo na merenda escolar, no caso das escolas. “A ideia é que a gente faça todo o acompanhamento inicial de implantação. Depois a própria comunidade fica cuidando e vamos só supervisionando”, explica Pedro Bruno.
 

Atuação na comunidade

 
Um dos trabalhos do grupo é desenvolvido nos jardins da Sociedade Cratense de Auxílio aos Necessitados (SCAN), localizada na comunidade do Gesso, próximo ao centro do Crato. No local, há 16 casas e cerca de 50 moradores, que vivem numa espécie de condomínio comunitário. Os moradores que participam do projeto auxiliam na plantação e cultivo das plantas. Francisca Amélia de Jesus, 68, é moradora há oito anos na comunidade. Todas as quintas e sábados ela auxilia na plantação de pimenta, pimentão e frutas como manga, caju, abacate, acerola e laranja. Amélia acredita que a comunidade aprende mais com a universidade. Tudo que é colhido é usado para próprio uso.
 
Seu Francisco das Chagas Correia Lima, outro morador da comunidade há 10 anos, também ajuda na plantação de frutas, como mamão, banana, abacate e maracujá, e rega as plantas. “O trabalho é bom para nós e para os bolsistas do projeto, que vão aprendendo também com a gente”, disse. Hercília Correia Melo, 68, está há 26 anos na associação e atualmente trabalha como vice-presidente, junto com João do Crato, atual presidente da SCAN. Antes de atuar na administração da associação, Hercília também era voluntária no projeto. “A ajuda da Universidade vai trazer benefício na maneira de cuidar e plantar correto. As pessoas já estão fazendo em casa o seu próprio plantio”, afirmou.

Os estudantes também reconhecem a importância do projeto para a formação. “Nessas ações a gente aprende a lidar com as pessoas. Na universidade, a gente aprende o conhecimento teórico, mas indo em campo você aprende como passar esse conhecimento para os agricultores, para as comunidades”, relata o discente Pedro Bruno.

Confira fotos do trabalho na SCAN:

 

Hortas comunitárias - PET Agronomia

 


 
 
PET Agronomia


 
Além do trabalho das hortas, o PET Agronomia também atua com ensino e pesquisa. No ensino, existe o projeto chamado “Ciclo de Aprendizado”, em que a equipe seleciona um tema por semestre para fazer discussões em tópicos que tenham relação com a temática. Este semestre a discussão gira em torno da irrigação. Também possui o FolhaPet, que é lançado bimestralmente, divulgando ações realizadas pelo PET, futuras ações, além de uma seção específica denominada “Conhecendo o Docente”, que visa difundir a formação, área de estudo e projetos que os professores pretendem desenvolver com os estudantes. O PET tem ainda uma página no Facebook denominada PetAgro UFCA, por meio da qual os participantes divulgam as ações realizadas e futuros eventos, procurando mobilizar o maior número de pessoas.
 
Em relação às pesquisas, os estudantes e o tutor têm desenvolvido estudos sobre produção do maracujá e do melão, sombreamento com crotalária e milho para o alface, plantação de amendoim irrigado e em sequeiro (só com água da chuva), entre outros. "O PET procura desenvolver pesquisas e obter resultados consistentes, visando a divulgação em periódicos indexados e também a difusão por meio da extensão", disse o professor tutor, Felipe Camara, ressaltando que os resultados são apresentados em congressos nacionais e internacionais ou em revistas científicas, além de servirem como base para ações de extensão que vão até a sociedade.
 


 
Programas acadêmicos
 

Ligado à Pró-reitoria de Ensino (PROEN), a UFCA tem cinco programas acadêmicos, que envolvem diretamente 287 discentes e 92 docentes. Além do PET, os professores e estudantes podem participar do Programa de Iniciação a Docência (PID), do Programa de Aprendizagem Cooperativa em Células Estudantis (PACCE), do Programa Institucional de Bolsas Iniciação à Docência (PIBID) e do Programa de Integração Ensino e Pesquisa (PEEX).
 
Foto do banner: Emanoella Callou
 
 
 

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