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Mulheres na Ciência e interiorização do ensino superior marcam segunda noite da Mostra UFCA

Terça, 06 Novembro 2018 18:14
Matemática Anna Karla Silva do Nascimento palestra na Mostra UFCA Matemática Anna Karla Silva do Nascimento palestra na Mostra UFCA Romênia Gomes - DCOM
Nesta terça-feira (6), a programação noturna da Mostra UFCA trouxe duas mesas redondas com temas importantes para o ensino superior brasileiro: a interiorização da academia e a atividade científica de mulheres. As palestras ocorreram no auditório Beata Maria de Araújo do campus Juazeiro do Norte da Universidade Federal do Cariri. Antes, na segunda-feira, os temas abordados na programação noturna da Mostra foram "importância da ciência" e "solidariedade no aprendizado".
 
A primeira mesa da noite desta terça, "Mulheres na Ciência", trouxe como palestrantes três professoras do Instituto de Formação de Educadores da UFCA (IFE/UFCA) - a bióloga Elaine de Jesus Souza, a matemática Anna Karla Silva do Nascimento e a química Tatiana Santos Andrade - e uma professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a física Mirleide Dantas Lopes.

Elaine ressaltou a menor visibilidade de mulheres cientistas, se comparada com a de homens pesquisadores, como resultado das históricas desigualdades de gênero. A bióloga aproveitou para apresentar ao público o trabalho de cientistas que, mesmo com atuação relevante em suas áreas, são em geral pouco conhecidas, como Ellen Bolte (que revolucionou as pesquisas sobre autismo), Françoise Barré-Sinoussi (que descobriu o vírus HIV), Rosalind Franklin (que produziu dados sobre o DNA fundamentais para a descoberta da sua estrutura. Esses dados foram usados por pesquisadores homens que, mais tarde, seriam reconhecidos com um prêmio Nobel pelo trabalho, sem o merecido crédito a Franklin) e a brasileira Bertha Luz, bióloga, professora e pesquisadora do Museu Nacional - a segunda servidora pública do Brasil, empossada em 1919.

Já a professora Tatiana Santos frisou o destaque que é dado ao papel dos antigos alquimistas nos estudos iniciais de Química, cujas atividades eram muito similares à bruxaria exercida por mulheres: "ou seja, os alquimistas e as bruxas faziam basicamente a mesma coisa, mas apenas as mulheres foram queimadas em fogueiras, enquanto os alquimistas foram considerados gênios e precursores de grandes cientistas". 

Mirleide, por sua vez, trouxe hipóteses para o menor envolvimento de mulheres nas chamadas Ciências Naturais: "O nosso mundo é definido entre o rosa e o azul, entre desbravadores e flores a serem protegidas. A coragem e a descoberta é destinada aos homens e às mulheres resta o cuidar, como se o ato de cuidar fosse inerente à condição feminina. Não a toa, os cursos em que há presença majoritária de mulheres são formações como Pedagogia ou Serviço Social. Aos homens, cabe estudar Física ou Engenharias", disse.

Fechando a primeira mesa, a matemática Anna Karla elencou mulheres com realizações de destaque na área, como Hipátia de Alexandria (a primeira mulher matemática conhecida pela historiografia), Maria Gaetana Agnesi (italiana que nunca conseguiu ser professora da Universidade de Bologna apenas por ser mulher), Sophie Germain (francesa que teve de assumir uma identidade masculina para estudar na Escola Politécnica de Paris) Emmy Noether, alemã que até chegou ser professora da Universidade de Göttingen (enfrentando forte resistência), mas teve que deixar o trabalho para fugir do nazismo; e a iraniana Maryam Mirzakhani, única mulher medalha Fields (o Nobel da Matemática):  "para que vocês observem o quanto a nossa luta é pertinente. Poucos conhecem essas mulheres e há muitas outras que se interessam por Matemática, mas acreditam que não devem estar nessa área por serem mulheres e por não se verem representadas nesse ambiente".

Na sequência, houve a formação da segunda mesa da noite, com tema "Importância da Interiorização do Ensino Superior para o Desenvolvimento Regional do Cariri", composta pelo Diretor de Ensino do Instituto Federal de Educação do Ceará campus Juazeiro do Norte (IFCE), o geógrafo Paulo Sérgio Silvino do Nascimento, pelo professor da Universidade Regional do Cariri (Urca), o farmacêutico Irwin Rose Alencar Menezes, e ainda pelo Pró-Reitor adjunto de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PRPI), Rafael Perazzo.
 
Em sua fala, Paulo Sérgio trouxe dados importantes sobre a rede federal de educação profissional no Brasil, formada em 2008 a partir dos antigos centros federais de educação (Cefets), de unidades descentralizadas de ensino (Uneds), de escolas agrotécnicas e de escolas técnicas: "Antes [da formação dos institutos federais], era muito difícil jovens pobres no interior do Brasil, sobretudo no interior do Nordeste, chegarem ao ensino superior. Agora, com a rede federal de educação, o ensino superior se capilarizou e hoje consegue penetrar em regiões antes impensáveis. A rede federal de educação já atende 1 milhão de estudantes, em 41 instituições. São 644 unidades ao todo, em 561 municípios, empregando 60 mil servidores em todo país".

Complementando a contribuição anterior, o professor Irwin trouxe um estudo sobre os impactos financeiros, no Cariri, da presença das instituições de ensino superior: "considerando apenas os números 'duros' [mais tangíveis], como salário de professores e bolsas concedidas a estudantes, a Urca - pioneira na região - injeta na economia do Cariri, por ano, R$ 27 milhões. A Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) injeta R$ 1,132 milhão. A UFCA, que ainda está em fase de expansão e consolidação, já contribui com R$ 12,4 milhões. Então, a presença de todas as instituições de ensino no Cariri injeta na economia da região valores comparáveis ao que se fatura na tradicional Feira Expocrato. Então, eu também espero que o Brasil siga com essa política de interiorização, porque isso melhora a vida das pessoas, a qualidade dos produtos brasileiros, a responsabilidade e o senso crítico dos cidadãos", disse.
  
Acesse fotos da segunda noite da Mostra. 
 

Mostra UFCA
 
O destaque da programação desta quarta-feira da Mostra UFCA será a Feira das Profissões e Estágios, no pátio do campus Juazeiro do Norte. Uma iniciativa da Pró-Reitoria de Ensino (Proen/UFCA) e da Diretoria de Articulação e Relações Institucionais (Diari/UFCA), a Feira das Profissões e Estágios permitirá aos visitantes conhecer os cursos ofertados pela UFCA e obter informações sobre estágios e mercado de trabalho. 
 
A quinta edição da Mostra UFCA reúne a comunidade acadêmica, até o dia 9 de novembro, para apresentação de ações de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura desenvolvidas, em 2018, tanto na UFCA quanto em instituições de ensino diversas do Cariri. Ao todo, 553 atividades foram aprovadas para compor a programação acadêmica. A organização divulgou, ainda, a programação cultural  da Mostra.
 

Serviço

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