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Dia Internacional da Mulher: tempo de reconhecimento e resistência

Quinta, 08 Março 2018 15:26
Dia Internacional da Mulher: tempo de reconhecimento e resistência Emanoella Callou

O dia 8 de março marca o Dia Internacional da Mulher no mundo. Antes mesmo da data, muitas ações referentes ao Dia da Mulher são divulgadas nas mídias: palestras com mulheres consideradas bem sucedidas, debates sobre a condição feminina, marchas, lutas por igualdade de gênero, além de uma imensa quantidade de promoções voltadas para as próprias mulheres ou para quem as querem presenteá-las (o mercado tirando proveito do dia de luta).

Neste 8 de março, é necessário, no entanto, que se pense na real condição da mulher nas sociedades. Há ainda uma profunda desigualdade em âmbito institucional, social e doméstico. Embora as mulheres tenham conquistado muitos espaços nos últimos anos, elas ainda têm os menores salários, ainda são preteridas em vagas de trabalho por serem mulheres e têm negado muitos espaços na vida cotidiana e no discurso. Basta uma atenção ligeira para se perceber que o machismo e a misoginia ainda estão sedimentados na sociedade.

É preciso fazer um exercício para entender como os discursos das mulheres, as visões de mundo e seus pontos de vista têm seus espaços diminuídos por uma sociedade machista e misógina, que se construiu assim e que ainda tem um longo caminho para deixar de ser. Para o exercício deste texto, foi escolhida uma tese de doutorado, defendida na Universidade de Brasília (UnB), por uma mulher, em 2016, no Programa de Pós-graduação de Literatura. Das primeiras 20 referências, apenas 4 eram de autoras.

O universo dos prêmios de reconhecimento de grandes feitos deixa bem claro a quem as oportunidades e a credibilidade são dadas. A Fields Medal, uma espécie de prêmio Nobel da Matemática, criada em 1936, agraciou 55 homens e apenas uma mulher, a iraniana Maryam Mirzakhani, em 2014. Já o prêmio Nobel da Paz, criado em 1901, agraciou 87 homens, 30 instituições e 14 mulheres.

Nas artes, dos prêmios de reconhecimento, em 114 edições do Prêmio Nobel de Literatura, apenas 14 foram vencidas por escritoras. No prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio brasileiro de literatura, em 66 edições, apenas 12 escritoras foram premiadas na categoria Romance. No cinema, apenas uma mulher recebeu o Oscar de melhor diretora, Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror (2008).

Os prêmios de reconhecimento são apenas uma ilustração de como as mulheres foram e ainda continuam silenciadas na sociedade. Diante disso, é necessário que o dia 8 de março, além de ser uma data para lembrar das conquistas, é também tempo de resistir, de exigir mais espaços e de ocupar mais espaços, com corpos, discursos, falas, visões de mundo, pontos de vista, direitos. E é tempo para a solidariedade de se permitir que as mulheres tenham esses espaços.

 

Dicas de Leitura

Feminismo em comum: para todas, todes e todos, Marcia Tiburi

Mulheres, raça e classe, de Angela Davis

Os homens explicam tudo para mim, de Rebecca Solnit

 

 

 

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