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Dia Internacional de combate à LGBTfobia: nota da PROCULT, do IISCA e do NECAGE

Quarta, 17 Maio 2017 19:53

Brecht nos lançou, na metade do Século passado, uma questão que parece ser atualizada incessantemente desde lá: “Que tempos são estes em que é preciso defender o óbvio?”. Certamente, para Brecht, esse problema se impunha diante do alargamento do fascismo e dos horrores da guerra. No entanto, o passar dos anos não aplaca a atualidade daquilo que o poeta-militante percebeu, os anos passam e a violência sobre determinados corpos se mantém.

A pergunta ganha força e nos arrebata cotidianamente, mas parece ainda mais enfática e quando tomamos conhecimento de casos específicos, como o assassinato brutal de Ketlin.  Nascida Francisco Carlos de Miranda, travesti, com 31 anos, cidadã, ela foi discente do curso de graduação em Filosofia (UFCA) e teve sua vida ceifada, de maneira violenta, na madrugada do último domingo. Gostaríamos de deixar claro que nos posicionamos contra quaisquer imperativos sociais que tendam a estabelecer, falaciosamente, a ideia de que algumas vidas (por questões de raça, gênero, religião, sexualidade) têm mais valor que outras. Mas, sobre isso, é importante frisar que algumas mortes tendem a ser menos questionadas, na mesma medida em que algumas vidas parecem passivas ao fim pouco questionado.

Sobre Ketlin, a condição de travesti e a grande probabilidade de que tenha sido vitimada em função de sua orientação sexual e de gênero, nos afirma que não estamos seguros ou a salvo, nos alerta de que vivemos em um mundo onde crimes de ódio, repúdio ao lugar social feminino e homofobia ainda acontecem em larga escala.

O Brasil é, segundo o monitoramento do Grupo de Gays da Bahia (GGB), o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo. O número de mortes em 2016, segundo o mesmo grupo, estabeleceu um recorde terrível: foram 347 mortes notificadas. É preciso lembrar que a subnotificação pode mascarar esse diagnóstico e é preciso afirmar que a intolerância e o regime necropolítico de governo dos corpos opera, corroborando com um verdadeiro genocídio da população LGBT (assim como de pessoas negras, pobres, em situação de rua e diversas condições de vulnerabilidade).

Diante desse panorama, em nome de Ketlin, de Dandara, de Chaiane, de Sophia, de Thadeu, de Fernanda e de tantas outras, participando da campanha do Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia, a Universidade Federal do Cariri – UFCA, através da Pró-Reitoria de Cultura (PROCULT), do Instituto Interdisciplinar de Sociedade Cultura e Arte (IISCA) e do Núcleo de Estudos Comparados em Corporeidade, Alteridade, Ancestralidade, Gênero e Gerações (NECAGE), torna público seu repúdio, ampliando o som das vozes em protesto e exigimos que as autoridades se posicionem. Não podemos assistir, de braços cruzados, ao derramamento de vidas tão próximas, iguais às nossas. Reafirmamos o direito à vida e à liberdade de expressão de todas as pessoas, reafirmamos a importância de que o genocídio cesse e quiçá possamos viver em um mundo melhor.

 

Pró-Reitoria de Cultura (PROCULT)

Instituto Interdisciplinar de Sociedade Cultura e Arte (IISCA)

Núcleo de Estudos Comparados em Corporeidade, Alteridade, Ancestralidade, Gênero e Gerações (NECAGE)

 

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