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Cerca de 200 pessoas se reúnem no auditório para debater sobre crise de representatividade no Brasil

Sexta, 08 Abril 2016 12:11

Representantes dos cursos de Administração Pública, Jornalismo, de movimentos sociais na região e de outras universidades lotaram ontem, 7, o auditório do campus Juazeiro do Norte para debater sobre o cenário político atual durante a primeira edição do “Caminhos e Descaminhos da Democracia Brasileira”.

O evento, com cerca de 200 pessoas, foi aberto pelo vice-reitor da Universidade Federal do Cariri, Ricardo Ness, que parabenizou a iniciativa, proposta pelo curso de Administração Pública com apoio da Pró-reitoria de Cultura. Na avaliação do vice-reitor, “o tempo é de incertezas e de mudanças”. A universidade, por ser um espaço de discussão, precisa dialogar sobre o tempo histórico em que está inserida.

A professora Camila Prado deu início às reflexões, quando explanou sobre “os novos movimentos sociais e as manifestações de rua: aproximações e distanciamentos”. O discurso tratou sobre a crise da representatividade, apresentando um breve embasamento teórico a respeito e pontuando características de movimentos sociais na história recente no Brasil e no exterior.

Embora as manifestações de 2013 e as atuais tenham em sua essência a insatisfação política, Camila Prado pontuou diferenças. A pluralidade de temas nas ruas e o protagonismo das redes sociais marcam as manifestações de 2013, ao passo que as atuais são percebidas pela polarização partidária.

A pesquisa desenvolvida por Esther Solano e Pablo Ortellado, que busca conhecer os manifestantes pró e contra impeachment na Avenida Paulista em 2015 e 2016, foi analisada por Camila Prado. No documento, foram pontuados aspectos dos manifestantes ligados à renda, à formação escolar, à faixa etária e à sincronia entre causas defendidas pelos políticos que as representariam.

A pesquisa serviu de base para a parte final do discurso de Camila Prado, que provocou a plateia com dezenas de questionamentos que devem ser feitos sobre o posicionamento político para além do senso comum. Ovacionada, concluiu: “Você tem sede de quê? Você tem fome do quê?”, uma menção à música Comida do grupo Titãs.

O palestrante seguinte, Luís Celestino, contextualizou a realização da edição do ciclo na universidade, “o incômodo está colocado e há um desgaste”, provocou. O professor, por conseguinte, dedicou sua apresentação para somar ao evento leituras sobre o cenário político a partir da comunicação social, em especial, a posicionamentos de veículos de comunicação: “Como podemos falar em democracia plena num país em que 90% do espectro da radiodifusão brasileira pertence a cinco grandes grupos?”.

Por meio de recursos multimídia, o professor Luís Celestino analisou peças referentes a governos petistas a partir do marketing político, ressaltando a espetacularização da política, e do jornalismo, pela parcialidade, em geral, não assumida por jornais e revistas brasileiros.

A falta de um marco regulatório da comunicação no Brasil, aliada à legislação deficiente no campo de análise em questão, contribui, de acordo com Luís Celestino, para polarização da divulgação sobre os acontecimentos ligados à gestão federal: “Não temos uma mídia com diversidade no país”, resume. Para reforçar a necessidade do marco e garantir a diversidade de expressão, ele exibiu o curta “Cordel da Regulamentação da Comunicação”, do Centro Luiz Freire.

O debate ocorreu em dois blocos de inscrições, entre posicionamentos políticos e questionamentos em relação à crise da representatividade ao longo da história. Na avaliação do mediador do encontro e coordenador do curso de Administração Pública, Augusto Tavares, a realização do evento foi considerada positiva, pela presença do público:

“O curso de Administração Pública, até pela sua própria nomenclatura, pelos temas que discute, pelas disciplinas, não pode ficar isento de se posicionar em um momento político como nós estamos vivendo, que afeta diretamente as políticas públicas, que é com o que nós lidamos diretamente, com a participação da sociedade”, declara.

De acordo com Augusto Tavares, o ciclo de debates prosseguirá no semestre, com datas e locais a serem definidos. Será emitida declaração de participação para os presentes à primeira edição. Participando deste e dos próximos, haverá entrega de certificado pela PROCULT.

O Ciclo de Debates é uma das iniciativas da referida graduação que, em março, por meio do colegiado, publicou nota sobre o contexto atual da crise política no Brasil.

Confira fotos do evento:

 

Caminhos e descaminhos da democracia brasileira

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