Início do Conteúdo

Orquestra Sinfônica da UFCA participa de festival internacional na França

Segunda, 11 Junho 2018 08:56
Orquestra da UFCA Orquestra da UFCA Emanoella Callou

A Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Cariri (UFCA), regida pelo professor Marco Antônio Silva e formada por pouco mais de vinte estudantes do curso de Licenciatura em Música da UFCA, foi convidada para participar do Festival Internacional de Orquestras de Jovens Eurochestries, que este ano será realizado em Creon, na França, entre os dias 14 e 21 de julho.

O professor Marco conta que a orquestra já participou de edições do festival realizadas no Brasil, mas esta é a primeira vez que a orquestra vai se apresentar no exterior. “Em 2013 fomos convidados para participar desse festival pela primeira vez, na cidade de Sobral. Os alunos tiveram a oportunidade de interagir com regentes e músicos de outros países e de outras partes do Brasil, e isso foi uma contribuição valiosíssima. É imensurável o ganho que eles tiveram com essa experiência”. Marco conta também que quando a orquestra participou, pela segunda vez do festival, no ano de 2015, também em Sobral, algumas dificuldades que os alunos sentiram já tinham diminuído. “Na primeira participação eles ainda não estavam acostumados com a rapidez do processo. Aqui na faculdade nós temos um tempo de ensaio, o professor tira dúvidas, mas lá não: tínhamos uma semana para preparar o conserto, e quando o aluno sentava e via a partitura, em minutos já tinha que tocar. Em 2015 eles já estavam bem mais seguros, e esse processo foi bem mais fácil”, diz.

Foi em 2015 que a orquestra recebeu pela primeira vez o convite do presidente do festival, Claude Revolte, para participar da edição do evento que ocorreu na França em 2017. Contudo, não foi possível levar os alunos naquele ano, por falta de recursos. “Agora em 2018 a orquestra teve essa oportunidade novamente, o convite nos foi feito e estamos conseguindo recursos. A universidade está ajudando como pode, e os alunos estão batalhando para conseguir recursos para suas passagens”, conta Marco.

João Luís Studart, professor do curso de Música na área de percussão, vem colaborando com a orquestra para possibilitar a logística e os recursos para a viagem. “Começamos rifando uma moto, e conseguimos um bom valor para os custos de muitas passagens aéreas. Procuramos também o poder público, como as prefeituras de Juazeiro do Norte e de Barbalha, além do Governo do Estado. Ainda não há nada concretizado oficialmente, mas tudo indica que vamos receber esse apoio”, explica.

O professor João Luís explica que os recursos serão usados principalmente no transporte terrestre na Europa e no translado aéreo do Brasil até lá. “O reitor também está muito ativo nessa campanha, recebemos o auxílio estudantil mesmo nesse momento complicado da universidade. Nossa ida abre portas para conseguirmos ir em outros anos com mais folga, com outros patrocínios. Abrir essa porta depende de um esforço conjunto de todo colegiado da música. Com isso, outros estudantes terão oportunidade de pertencer a orquestra e fazer viagens assim, e receber os aplausos que a música brasileira merece”.

O estudante Paulo Sérgio, que cursa o 7º semestre de Música e toca violino na orquestra, conta que foi uma boa surpresa conseguirem ir este ano. “Temos tentado há quase dois anos fazer essa viagem, e é uma responsabilidade muito grande porque é um grupo que vai ser levado. Com certeza vai ser muito bom, tanto do ponto de vista de experiência de vida quanto de conhecimento teórico e específico. Vamos lidar com profissionais da Europa, e sabemos que o nível de profissionalismo deles é muito alto, tem toda a questão da disciplina. Como violinista, é uma oportunidade muito única, não é sempre que se faz uma viagem assim”, diz.

Fernanda Cristina, que colou grau em fevereiro desse ano e também é violinista, concorda: “Vamos para um país onde eles primam pela música desde pequenos, então vai ser uma oportunidade de ter contato com pessoas que tem nas veias a música, então vai ser muito bom pra gente no crescimento profissional. Essa viagem tem sido pra mim uma expectativa muito grande, estou na orquestra desde 2014, e participei em 2015 e 2017 das edições brasileiras do festival. Estando num curso de licenciatura, o propósito é formar educadores musicais, e não diretamente músicos. Então participar desses festivais internacionais e ter contato com pessoas de outras culturas, que tem uma prática instrumental bem diferente da nossa, é muito produtivo para nossa vida profissional e nos faz um pouco mais músicos, por assim dizer”.

O professor Marco conta que, numa conversa que teve com professor Luiz Botelho Albuquerque, que ensina na Pós-Graduação em Música na Universidade Federal do Ceará (UFC), este lhe disse que, muitas vezes, a participação em um festival como o Eurochestries substitui um ano de ensino de música em que o aluno está dentro de uma sala de aula. “Isso explica porque eu acho muito proveitoso levar os alunos a esses festivais. Nosso repertório é essencialmente brasileiro, vamos tocar só músicas brasileiras. Então não vamos só aprender, haverá uma troca, vamos levar a música do Cariri, a música brasileira, e vamos ouvir e receber o impacto de músicas de outras tradições”.

História da Orquestra Sinfônica da UFCA

A orquestra surgiu em 2011, quando a UFCA ainda era um campus da UFC, organizada pelos professores Marco Antônio Silva, responsável pela prática instrumental de violino e viola, e Cláudio Mappa, responsável pela prática de violoncelo e contrabaixo. “Nós unimos essas práticas instrumentais, que é como chamamos o ensino de um instrumento ou de uma família de instrumentos, e formamos o que é conhecido no mundo do concerto de Orquestra de Cordas, que é formada de violino, viola, violoncelo, e contrabaixo” conta o professor Marco. Foram feitos arranjos de músicas regionais e eruditas para que os alunos pudessem tocar juntos, e para os professores, a orquestra traz um aprendizado muito interessante, tendo em vista que o curso prepara professores para atuarem na docência musical. Com o tempo, outros estudantes se interessaram em participar da orquestra e pediram para que houvesse a inserção de instrumentos de sopro, e assim nasceu a orquestra sinfônica.



 

Lido 223 vezes